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sexta-feira, 10 de março de 2017

Guerreiros, meninos, reflexos do feminismo e empatia

As postagens machistas do 09 de março, as coisas que eu não resolvi no trabalho, as ausências doloridas e os hormônios me deprimiram, ontem. Cheguei em casa chateada e fui fazer o que as pessoas chateadas fazem melhor: curtir fossa.

Cuidei de tudo, ajeitei as crianças, escovei os dentes e depois de tudo pronto coloquei meu pijama, sentei na sala escura e fui ouvir um mix bem deprê do youtube. C'est la vie.

Comecei com a Dança da Solidão, na voz da Marisa Monte e do Paulinho da Viola. As músicas foram se sobrepondo, Ana Clara e Lucas apareceram, dançaram solenes, ela me perguntou porque eu estava triste, o Lucas ficou preocupado e disse dois ou três "não chora, mamãe, não chora", saindo desbaratinado pra buscar um papel pra mim e avisar o pai (no melhor estilo, "alguém acuda, mamãe está chorando!").

O YouTube acionou o mix automático, lá, de repente estava tocando "Guerreiro Menino" do Fagner. E aí... Aí Ana Clara acionou a Ana Clara que tem dentro dela e tomou as rédeas. Quando ele cantou "não dá pra ser feliz", ela parou na frente da TV:

- Tá vendo, mãe. É isso que tá errado. Quando ele canta, "não dá pra ser feliz", lá dentro de você, você tem que gritar "DÁ PRA SER FELIZ"!

E, não sei muito bem como, em uma fração de segundo ela e o Lucas estavam dançando no meio da sala, gritando, aos berros, "DÁ PRA SER FELIZ" muito mais alto do que o Fagner cantando que não dá. Me dei conta que estava no fim chorando de rir, assistindo absurdada aos meus cantores dançarinos.

É. Nada como ser chamava de volta à realidade.

Com essa turma, acho que economizo bastante com psicólogo. ^^