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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Presença

Saindo de casa, o pedido:

- Mãe! Hoje deixa cair um pouco de jambolão no seu carro?

Perplexa:
- Oi!?

- É, que daí a gente pode brincar junto de limpeza.


Na frase dela, me marcou o "junto". Pode ser pra limpar o carro, pode ser até jambolão, se for junto. ❤️

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Os crescidos, pero no mucho

Ana Clara e a eloquência.

- Mamãe, olha aqueles brinquedos!
- Muito legais - brinquedos do shopping, aquele mini parque de diversão.
- Você gostou?
- Gostei...
- Porque, sabe, se você gostou, eu e o Lucas estamos disponíveis pra brincar, se você quiser...


- Alô?
- Oi, mamãe!
- Oi, filha!
- Mamãe, sabe, o tempo não está muito bom aqui, agora, mas será que depois que parar de chover... Sabe, eu tenho pouco dinheirinho, mas se você puder emprestar do cofrinho, e parar de chover, eu posso ir comprar revista? Uma pra mim e uma pro Lucas?


E aí ela me lembra que tem cinco aninhos.
- Mamãe, minha gaita quebrou. Mas eu pedi outra pra Dedé.
- Filha! Não faz isso!... Ela deu a gaita, quebrou, fala pra mamãe. A gente resolve. Não fica pedindo pra ela.
- Hum... Desculpa. Se você quiser, eu "despido"!


E Lucas teve o episódio em que eu disse que já íamos sair do banheiro, ele entendeu que íamos sair de casa. Trocou o "êeee! saí!" por um muxoxo "aaaaaah"... E depois ficou andando no corredor "qué saí, mamãe. Pasiá!".

<3

sábado, 7 de janeiro de 2017

Os empoderados

Ontem saí de casa com meu bebê sem fraldas.

Ensaiando várias respostas. Ensaiando o que teria que dizer pra peitar as crianças maiores se ele fizesse xixi no meio delas. O que eu ia dizer pro moço do shopping se tivesse um cocô no corredor. Levei a mala de roupas. Outra mala com um tantinho de fraldas.
Na minha covardia, tentei a persuasão:
- A gente vai sair. Você não acha melhor ir de fraldinha?
- Hmmm... não!

Eu acredito em respeitar o momento e em empoderamento infantil. Repeti isso três mentalmente umas vezes, peguei o meu monte de malas e fomos.

Vi Lucas parar de brincar pra vir comer.
Depois parar de brincar pra vir comer de novo.
Pelas tantas, me sinalizou apressado e corremos para o banheiro.
Voltou e fez mais umas três pausas pra beliscar uma coisinha.

Antes de ir pra casa, vi Rafael com os dois no colo, olhando uma coisa qualquer. Eu estava convenientemente para trás, então tudo me veio a cabeça.

Como eles estão grandes. E como o Lucas cresceu em uma semana. Como eu os amo. Como em parte ter dois filhos é meio montanha russa, então é preciso muito comprometimento para curtir a infância do menor e, ao mesmo tempo, não forçar o maior a uma maturidade precoce.

Essas coisas todas foram me passando, me atropelando. E eu me comprometi de novo.

Respeitar o momento deles.
Empoderá-los.
E me entregar.

Por que a vida vai atropelar a todos com essa coisa que se chama tempo. E eu quero ter vivido ao lado de quem amo intensamente.

<3

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Pano branco

Era uma fraldinha do Lucas. Cobri, limpei boca, usei de fralda mesmo quando as alergias atacaram.

Agora é cobertor de boneca.

Já foi bandana de pirata.

Véu de noiva.

Saia.

Kilt.

Vestido.

Toga.

E hoje me escondia.

- Cadê a mamãe? - eu perguntava, o olhar perdido na imensidão branca que me cobria o rosto.

A voz fininha de menino-moleque vinha do outro lado:
- Não tá atí!

De repente, depois de tanto me achar e me esconder, sucessivamente, saiu correndo:
- Tasmaaaa! Buuuu! Aaaaaah!

Eu era fantasma. Bu. Corram, crianças!


Que nunca se perca a incrível habilidade humana de ver para além do olhar.