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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

De volta pra casa

Tantas coisas desde a última postagem. Fiquei tanto tempo sem escrever.

Não contei da minha afilhada linda, linda, e muito amada. Certamente, o presente mais encantador que 2016 poderia me trazer, e nos braços de gente que eu amo tanto, que me faz tão bem. O mundo ficou mais bonito com a Laura nele. E com a Lívia, que é minha sobrinha do coração e de quem eu consegui arrancar beijinhos esse ano!rs.

Não contei das peripécias dos meus filhos, do Lucas começando a falar, da Clara cada vez mais eloquente. Não contei das restrições alimentares da família inteira e do perereco que é conviver em sociedade quando você come totalmente diferente de todo o mundo...rs.

E não contei do emprego novo.

Eu viajei um dia de carro a serviço e verbalizei para o colega que estava comigo, "eu já fiz as pazes com isso, sabe. Eu sempre vou trabalhar aqui. Longe de casa. Não vejo perspectiva que me faça sair daqui". Ele respondeu, "só um concurso em São José, né?". E eu lembrei do concurso que eu fiz. O concurso em que eu fiquei lá, na lista, e só tinha uma vaga, e eu sem esperança nenhuma de ser chamada. Nenhuma. "É. Só um milagre. O milagre de fazer, passar num concurso, a vaga ser em São José, o salário ser compatível, Acho bem difícil. Na verdade, não vejo isso acontecendo".

E aí, na outra manhã, no meio de uma conversa que estava me deixando louca, as obras me deixando louca, o machismo inerente ao campo de trabalho me deixando louca, chegou um e-mail. Um e-mail da prefeitura daqui de São José me pedindo pra dar um ok se eu tivesse interesse na vaga. E toca mandar resumo de curriculum pra ver pra que setor vai. E toca fazer exame médico. Sair de férias no emprego antigo pra dar conta. Surtar com medo de não dar certo. Surtar um pouquinho com medo de dar certo - pra onde eu estou indo? Pra onde, meu Deus?

Acho que é coisa de anjo, e eu tenho alguns anjos intercedendo por mim lá em cima. Ainda teve surpresa com requinte, como eu chegando em casa e dizendo "queria muito ir pra aprovação de projetos, mas me colocaram na Secretaria de Obras. Tá bom, também, amanhã vou lá conhecer o setor", e no outro dia acordar, ir conhecer o setor e o setor ser a aprovação de projetos. Deus é bom e eu definitivamente não sei de nada.

E conhecer gente. Gente que você vê pela primeira vez e se vê ser transportado para o passado. Para coisas que você já amou e esqueceu. Já acreditou mas preferiu não ter esperanças. Já estudou mas guardou numa gaveta, porque "onde é que eu vou usar isso?". O trabalho novo me fez tirar da gaveta os itens mais preciosos de desenho técnico, que eu queria tanto usar, e também trouxe desafios com um monte de leis que, Jesus, eu estou tentando aprender...rs. E gente que te faz pensar no futuro. Que te cutuca. "Por que você não faz isso? Por que você parou? Por que você continua? Por quê?".

Ao mesmo tempo, fico fazendo conta de quando vou conseguir ir até Taubaté tomar um café com gente tão querida. Gente que me manda mensagem, que fala no skype, que pergunta se eu não vou escrever no blog... Gente que me marcou profundamente e faz parte do que sou hoje.

Sei que, de tudo que 2016 me trouxe, o que mais me marcou foi essa palavrinha tão pequena: hoje. A soma de tudo que eu vivi. As promessas de tudo que virá. E a mágica de enfrentar um dia de cada vez, dando meu melhor, e confiando no universo. Let it be.


Me sinto de volta pra casa. Sem nunca ter deixado minha casa, mas parece que eu me deixei, sabe? Eu acho que vive um tempo fora de mim. Vivendo coisas lindas, construindo esse momento, sabendo que precisava passar por isso.

Ainda assim, é gostoso demais estar de volta. =)