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quinta-feira, 31 de março de 2016

No Feriado

- O que você mais gostou do seu dia?

- De brincar com a mamãe! De aula de ballet...

- E o que você menos gostou? O que você não gostou?

- Hum... não teve nada.

Não teve nada.

E meu coração explodiu em purpurina...

terça-feira, 29 de março de 2016

Planejamento Familiar, uma lição

Clara diz que não quer ter filhos. Ela tem quatro anos, eu sei, quanta água para passar por debaixo da ponte... Nem por isso eu desprezo esse comentário. Se hoje ela não quer ter filhos, tudo bem. Quem sabe mais pra frente. Se não quiser mais pra frente, tudo bem, também. É uma decisão dela. Então sempre que essa fala dela gera muitos comentários, eu reforço: é sua decisão. Você quem sabe. Ninguém pode decidir por você. De qualquer maneira, não precisamos resolver isso agora.

(Confesso que às vezes faço um adendo: "mas a mamãe se tornou muito mais feliz quando vocês chegaram...").

Ontem, ela me disse que quando ela crescer, vai ser "a outra mamãe". Que eu e o papai vamos ser os filhinhos dela, que ela vai cuidar de nós, e o Lucas vai ajudar.

Depois pensou um instante.
- Mamãe... quem decide se a gente vai ter filhinhos? A gente ou o Papai do Céu?

Isso foi uma informação nova, pra mim. Alguém deve ter dito isso. De todo, não acho que esteja errado.
- Bom, filha, acho que são as duas partes, sabe? A gente decide, mas às vezes Papai do Céu tem outro plano pra nós. Só o tempo para a gente entender como as coisas se desenlaçam...

Mais um minuto pensando.
- Então, se você quiser... você pode resolver ter mais um filhinho.

Me pegou desprevenida...rs.
- É... podemos, eu e papai. Não é algo que estamos considerando.

- Mas vocês poderiam ter mais um filhinho.

- Se decidíssemos por isso, e se for o plano de Deus pra nós, sim. Mas, sabe, mamãe e papai estão muito felizes com você e o Lucas. Ter mais uma criança implicaria ter mais alguém para dividir a atenção. Para pedir colo. Para dividir a cama... Ter o Lucas de irmão já é bem legal, né?

- É. Mas vocês podiam ter mais um. Eu quero mais um irmão, um só. Se for uma menina, pode chamar Isabela. Se for menino... Joaquim!

- E você não liga de dividir a mamãe e o papai com mais um?

- Ligo. Mas a gente divide, ué.


Clara sempre me surpreende. Brincamos mais um pouco sobre nomes, ela disse que se for outra menina não pode chamar Ana, que Ana é ela. Depois eu reforcei:

- Mas, sabe, filha... de verdade. Mamãe e papai estão felizes com você e o Lucas. Pra nós, nossa família está completa.


E ela, me provando que sabe escutar mais do que ninguém...

- Mas igual você fala pra mim... Não precisamos resolver isso agora.


Posso com isso?rs.


quarta-feira, 23 de março de 2016

Pois é.

Fui num médico dermatologista para ver uma questão específica. Quando ele foi receitar o medicamento, eu pedi:

- Por favor, não sei o que você pretende prescrever, mas eu estou amamentando um bebê. Então, temos este porém...rs.

- Ah, pode deixar, prescrevo alguma coisa que não interfira.

- Ah, legal.

- Seu bebê está em amamentação exclusiva?

- Ah, não mais. Já come outras coisas.

- Quanto tempo ele tem?

Comecei a ficar incomodada.

- Um ano e três meses.

- Ah, então ele já está parando de mamar.

- Na...verdade...não.

- Mas você já vai tirar?

- Hum... não, também. Não estamos com pressa.

- Mas você não acha que ele pode ficar, sei lá, mimado?

Absurdada:

- Não... Eu interpreto comida e carinho como necessidades básicas, mesmo. Não como mimo...rs (sorriso amarelo, nessa parte).

- Mas você não tem nem um pouco de medo?

- Eu não. O senhor tem?

- Não... Veja bem, é o seu filho.

- Pois é.


A consulta acabou assim. Ele ficou sem graça. Eu fiquei sem graça, um pouco, por deixá-lo sem graça, mas achei muito bem feito.

É meu filho.

Vou amamentá-lo enquanto funcionar para nós dois.

Não tenho medo de que ele fique mimado por isso. Tenho outros milhões de medos.

Que ele cresça num mundo intolerante. Que ele cresça num mundo sem água. Que a ignorância vença o ponderar e o refletir. Esses medos. Amamentar não é medo. De tudo, em tudo, amamentar é coragem.

domingo, 20 de março de 2016

Sobre horas-extras

Passei o final de semana pensando no meu avô.

Convivi 6 rápidos anos com meu avô, sendo que destes me lembro de dois ou três. E, ainda assim, sinto que aprendi muito com ele.

Aprendi que se você colocar crianças num carro, você as entretém por minutos que parecem horas. Você pode fingir que está num táxi em que eles são os motoristas, ou que vocês estão numa viagem longa ou só sentar lá e esperar os brrrrs e as buzinas.

Aprendi a bater na porta e perguntar "ô, de casa! Tem gente?".

Aprendi  que ler livros longos requer paciência. Ele leu um que comprei e achei um saco.

Aprendi que tudo bem chorar no quarto.

Aprendi carinho, numa lição que durou seis anos. Acabou sem terminar...

E hoje me peguei pensando... O que estou deixando? Nesse tempo todo aqui... Ensinando? Motivando? Do que alguém sentiria falta?

Me senti fazendo hora-extra. Feliz de fazer hora-extra. Mas desnecessária. Me senti vazia. Me senti "apenas". Sabe? Muito pouco. Me senti tantas coisas...

E aí o Lucas chorou porque eu saí de casa e eu pensei, "ele não precisa muito de mim, mais, mas ainda não sabe". E, como estava indo na igreja, aproveitei para pedir a Deus...que enquanto tiver horas-extras, que me mande, por favor. Eu aceito todas. Agradeço. E vou usando pra ver se amanhã vou dormir com outro sentimento no peito...

quarta-feira, 9 de março de 2016

Pequenas Grandes Descobertas

- Qual o caminho pra casa?
- Eu sei!

E sai, destemida, da casa da cabeleireira.

- Tem que atravessar a rua, porque é pra lá.

- Tem que subir, agora!

- Tá pertinho.

Quase chegando lá, titubeou:
- Ai, mamãe. Acho que eu não sei. Melhor você escolher o caminho.
- Clara, confia.

Chegamos em casa.
E foi de primeira. ^^