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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Comer, o que fazemos de melhor

Ontem fomos até um supermercado, e no caminho decidimos pegar um lanche na volta.

- Eu também quero um lanche, mamãe!

- Tudo bem, filha.

Sendo que ela era a única que já tinha jantado, era muita disposição - mas nunca duvidamos da Ana Clara.

Na hora do pedido, falamos tudo, a moça anotou, Ana fez questão de também pedir uma bebida, ok. No caminho pra casa, ela dormiu no carro. Chegamos, coloquei na cama, ela no sono dos justos - continuou dormindo tranquila, sem sobressaltos. Comemos, guardei o lanche dela na geladeira, fomos dormir.

À 01 da manhã, escuto o grito vir lá do quarto:

- Mamãe! Mamãe!

E quando eu parei na porta, ela ainda coçando os olhinhos:

- Cadê meu lanche?

E enquanto eu pegava no colo, um pouquinho mais desperta:

- E o meu suco?

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Mudanças

Lido mal com mudanças. Quer dizer, eu entendo que elas devem haver. Eu entendo que, quase sempre, elas são pra melhor. Eu entendo que, mesmo quando as mudanças são daquelas que assustam, entristecem, derrubam, no final das contas a gente acaba levantando, dando uma super volta por cima, recomeçando, sei lá, e as coisas se ajeitam. Saber disso tudo não faz com que eu lide melhor com mudanças.

Mas as coisas mudam, e como. Mudam os carros. Mudam os cômodos da casa. A porta de entrada. Os móveis. Mudam os empregos e os cursos, mudam os colegas, mudam tantas coisas. E mudam as pessoas. Mudamos os cenários porque alguns se vão, e alguns chegam. E que prazer que é alguém chegar.

Este mês está sendo um mês muito louco pra mim. Mudou a minha idade. Mudou o carro que eu dirijo. Mudou o lado que eu entro na minha casa e até o lado em que eu dormia da cama. Mudou o lugar da minha filha dormir e o nosso lado de assistir TV. Mudou a programação da TV, porque agora tem copa. Mudou o sexo do bebê que eu tenho na barriga - eu achando que era um, o danado do ultrassom me desmoralizou mostrando outro (e nos enchendo de felicidade do mesmo jeito, porque o que me importa é o bebê que eu tenho na barriga, e não se as roupinhas serão predominantemente azul ou rosa). E eu tantas vezes me senti confusa.

Confusa na hora de levantar da cama, na hora de procurar minhas coisas no armário. Confusa na hora de guardar as coisas no armário - tantas vezes levei a cesta de roupas passadas para o quarto errado... Eu me senti perdida e assustada, e com medo.

E aí... Eu achei que senti o neném mexer.

Não sei se foi ele, talvez tenha sido o meu próprio corpo. Mas pensar que era o corpinho dele, se sacudindo, me fez ver essa mudança. Mais essa. A mais preciosa. A mudança da Clara de única para primogênita. A mudança minha e do Rafa, de pais da Clara, para pais da Clara e do Sem Nome. A mudança do Sem Nome, que nós chamamos, e ele veio. Veio para nos trazer paz e norte. Veio para ser remanso nessas ondas tão fortes. Veio para nos acalentar no colo dele, para nos mostrar o que tem sentido e valor nesta vida.

Eu continuo tendo medo das mudanças. Mas quantas vezes elas são boas?

Sem Nome, nós já te amamos muito. Obrigada por ter escolhido o meu ventre. Nós te esperamos, de casa e braços e coração aberto. E eu te prometo poucas coisas. Basicamente, todo meu amor. E um nome. =*

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Sementes

Naquela fase em que, se você disser algo, este algo pode e será usado contra você.

- Mamãe, não faz isso. Não pode. Você me deixa maluca!

- Não me desobedece. Vou ficar brava.

- Você já tomou seu remédio? Tem que tomar o remédio, mamãe...


Funciona nos dois sentidos, no entanto.
Este domingo, almoçando, Clara disse aos amiguinhos:

- Neném, desce daí, não pode... Vai machucar.

- Por que você não está comendo?

- Aqui não pode correr...atrapalha as pessoas.


É normal que eu sinta, ao mesmo tempo, medo e orgulho. Medo de Clara ser a criança-não-criança que eu fui, o que torna mais difícil a socialização até, sei lá, os dezoito ou vinte anos. Ao mesmo tempo, ela é a criança-não-criança mais doce do universo, e é minha, então o sentimento de orgulho ainda está bem maior que o do medo...rs. Que ela seja feliz, me basta.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Artimanhas

- Mamã, dá o catchup pra eu colocar na minha comida, por favor?

- Não, Ana. Você sabe que eu não deixo.

- Mas hoje, o papai...

- Sei que o papai põe na comida dele, de vez em quando, mas eu não sou seu pai. E eu não gosto disso de comer catchup com comida.

Silêncio, engrenagens trabalhando.

- Mamãe, vamos brincar que você era o meu pai?


terça-feira, 17 de junho de 2014

Dorme, neném

- Dorme, Ana.

- Mas mãe, sabe, eu não consigo.

- Consegue, filha. Fecha os olhinhos.

- Mas mamãe... eu não consigo!

- De olho aberto não consegue, mesmo, filha! Tenta relaxar...

- Eu não consigo relaxar, porque tem um carneiro aqui no quarto.

- Ótimo, então. Aproveita e conta carneirinhos, ajuda a dormir.

- Mas é que tem um só.

- Ana! Então conta o mesmo, várias vezes.

- Tá bom.

Meio segundo depois:

- Um carneirinho. Um carneirinho. Um carneirinho.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Ao pé da letra

Hoje, almoçando, suspirei:

- Hummm...comida fresquinha!

- Não, mãe! Tá quente! Ó! Tá bem quente!

Perspicácia, a gente vê por aqui.